Olá minha gente!
Como muitos sabem, essa semana estarei completando mais um ano de vida! E pra comemorar essa data estarei realizando uma pequena excursão pela serra do mar!
Para alimentar o coração dos convidados aventureiros estarei postando aqui um pouquinho do que iremos passar lá na serra! É uma mistura de natureza, história e diversão.
O Caminho
Percorrer o Itupava é como entrar na máquina do tempo onde a história se apresenta em cada pedra, mas não é este o maior motivo dessa excursão. O que verdadeiramente importa é o contato íntimo com a natureza da Serra do Mar. Riachos de águas límpidas, árvores gigantescas, bromélias e orquídeas das mais variadas espécies, borboletas multicoloridas, pássaros, pequenos animais, grandes cachoeiras, paisagens de perder o fôlego e o prazer indescritível de caminhar na mata fresca e sombreada.
A antiga trilha do Itupava foi por muitos séculos a principal ligação entre a planície litorânea e o alto planalto paranaense, vencendo rios encachoeirados, montanhas escarpadas e a mais densa floresta.
A serra ainda conserva intacto o calçamento original e o caminho é facilmente transitável da atual Borda do Campo, onde se inicia no ponto final do ônibus, passa ao lado das ruínas da Casa Ipiranga e cruza a ferrovia.
Segue bem preservado até novamente cruzar a ferrovia no santuário do Cadeado (local onde estarei agradecendo a Deus pela minha vida e estaremos festejando com um bolo e uma Coca-cola), nascendo a meio caminho uma trilha a esquerda que leva à represa, à estação do Véu da Noiva e a cachoeira homônima. Continua abaixo do santuário passando por uma grande clareira, onde se fazia as cobranças dos impostos e encontra a estrada pouco abaixo da estação Engenheiro Lange, daí continua margeando o Rio Nhundiaquara pelas prainhas, onde ainda se conservam muitos pequenos trechos calçados, até a estrada da Graciosa (PR411) no Porto de Cima.
Calçamento
Não se tem registros de quando o Caminho do Itupava começou a receber o calçamento com as pedras irregulares extraídas dos riachos próximos, talvez já em 1720 por ordem do Ouvidor Pardinho que o dividiu em trechos para facilitar sua manutenção, mas é certo que a calçada foi construída aos poucos com prioridade para os locais pantanosos.
Só em 1830, por ordem de José Carlos Pereira de Almeida Torres, presidente da Província de São Paulo, os serviços receberam uma diretriz e um projeto profissional que infelizmente não chegaram ao final devido à queda do império com a proclamação da república.
No início a manutenção e as melhorias eram executadas pelos próprios usuários da trilha, depois se adotou o recrutamento forçado dos trabalhadores em regime militar com a imposição de multas e cadeia aos que se recusassem a participar. Em 1743 foi tentada a privatização do caminho mediante a cobrança privada de pedágio e finalmente em 1805 foi implantada a cobrança pública do pedágio para financiar a manutenção permanente da estrada.
Apesar de toda calçada, nunca recebeu manutenção adequada e os recursos arrecadados pelo pedágio eram constantemente desviados de sua finalidade resultando que o Caminho do Itupava sempre foi considerado como uma das piores estradas do Brasil.
Casa do Ipiranga
Construída alguns anos depois da ferrovia em local previamente ocupado por um acampamento de operários no cruzamento com o caminho do Itupava, foi edificada para residência do engenheiro chefe da linha e depois utilizada como clube de lazer pelos engenheiros da rede até a privatização da linha, quando foi abandonada e rapidamente destruída por vândalos. Nela também viveu o pintor Alfredo Andersen por breves temporadas nas quais registrou magníficas paisagens da serra em suas telas a óleo.
Toda em alvenaria de tijolos sobre um sócolo de pedras, possuía sala de estar com lareira, sala de jantar, cozinha e banheiro no térreo. Três dormitórios e outro banheiro no pavimento superior enquanto no porão ficavam armazenadas algumas ferramentas. Nos fundos, num apêndice construído posteriormente ficava uma sala de jogos e confraternização toda envidraçada ao lado da grande piscina com fundo em declive alimentada de água corrente. A pouca distância fazia ainda parte do conjunto uma pequena estufa construída com trilhos e a residência do caseiro.
Santuário do Cadeado
No segundo cruzamento do Caminho do Itupava com a ferrovia foi construído, em madeira, o escritório da Comissão Construtora sobre uma elevação imediatamente abaixo da terrível passagem do Cadeado, que dali desfrutava uma vista privilegiada da serra e das obras em andamento.
No refeitório foram recepcionados a Princesa Izabel com o Conde D’Eu em dezembro de 1884 e todos os convidados da viagem inaugural de 2 de fevereiro de 1885. Também aí desembarcou em 20 de maio de 1894 a comitiva de sepultamento aos mortos na chacina do Km 65, ápice da Revolução Federalista no Paraná. Foi nesta época uma parada de serviço com posto de vigia sobre o trecho mais perigoso da serra, mantendo um pluviômetro para monitorar as chuvas na região.
Tornou-se um dos locais favoritos do pintor Alfredo Andersen que o eternizou em suas telas. Na década de 1960 foi demolida e o Engenheiro Raphael Semchechem construiu sobre suas fundações o atual mirante e a curiosa capela de Nossa Senhora do Cadeado, inaugurada com uma missa em 5 de fevereiro de1965.
Passagem do Cadeado
Até 1770 o Caminho do Itupava só permitia a passagem de homens carregando fardos às costas e quando as coroas portuguesa e espanhola voltaram a separar-se, recomeçaram também os atritos na fronteira entre as colônias do sul e foi então designado o Ten. Cel. Afonso Botelho de São Paio e Souza para fortificar a costa e ocupar os sertões de Tibagi até as barrancas do Rio Paraná. Nascem assim a passagem do Cadeado e a fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres na Ilha do Mel.
O Cap. Antonio Francisco, morador de Paranaguá, recebeu a incumbência de recuperar o caminho, mas percebendo a dificuldade de conduzir as tropas militares e o armamento pesado pelas barrancas do Rio Ipiranga traçou um atalho enfrentando diretamente a vertente da montanha. Com sucessivas explosões de pólvora mandou cavar uma vala curva, lembrando a argola dos antigos cadeados, na grande pedreira a beira do precipício.
O local tornou-se temido por gerações, mas a obra além de possibilitar o imediato trânsito das tropas militares e seus canhões, também liberou a passagem para os animais de carga percorrerem toda a extensão da estrada.
As tropas do Ten. Cel. São Paio foram emboscadas e trucidadas pelos índios nos sertões de Guarapuava.
Próximos Capítulos
Ainda nessa semana estarei postando mais novidades sobre a excursão de Aniversário. Aguardem!!!
Alta Montanha!
Mil desculpas!!! A todos do Alta Montanha, em especial ao colega de aventuras Hilton Benke! Não queria de forma alguma me utilizar da informações do seu site… tanto que comento de vocês com as pessoas que fazem caminhada comigo. Vivem me perguntando: como você sabe tanto sobre a serra do mar? Digo: pesquisas pela internet… o Pessoal do Alta Montanha tem um monte de informações… não apenas do Itupava mas de muitos outros lugares interessantes de se visitar!!!
Então, para quem ficar interessado… lá vai: http://itupava.altamontanha.com
Acessando o http://altamontanha.com você fica sabendo de informações de outros lugares, além de muitas infos sobre montanhismo! Aproveitem!
Nosssa eu já fiz essa trilha… É muito Linda… Belas Fotos ^^ Bjs
Por: Allyne em 28/08/2009
às 16:27